terça-feira, 4 de outubro de 2011

Áreas de Intervenção e Linhas de Acção

A intervenção psicomotora assenta-se em três linhas de acção já mencionadas anteriormente: terapêutica, educativa e reeducativa (Núnez & Berruezo, 1999; Fonseca, 2007).
Relativamente às áreas de intervenção esta tem uma vertente multidisciplinar, sendo possível desenvolver vários campos de actuação. Entre eles destacam-se: a psicomotricidade instrumental, a psicomotricidade relacional, a gerontopsicomotricidade, a psicomotricidade em meio aquático, a hidroterapia, a equitação terapêutica ou hipoterapia, a asinoterapia, a terapia assistida por animais e o relaxamento (Núnez & Berruezo, 1999; Fonseca, 2007).


Referências Bibliográficas: 

Fonseca, V. (2007). Manual de observação psicomotora (2ª ed.). Lisboa: Âncora Editora 
Núñez, J. A. G. & Berruezo, P. P. (1999). Psicomotricidad Y Educación (5º ed.). Madrid: General Pardiñas. 

População Alvo

A intervenção psicomotora destina-se a uma população abrangente desde o recém-nascido até ao idoso. Segundo a Associação Brasileira de Psicomotricidade (s.d.) a Psicomotricidade destina-se a bebés em situação de risco (atraso de desenvolvimento, precariedade, situação económica baixa), a crianças em fase de desenvolvimento, a crianças com dificuldades de aprendizagem ou atraso no desenvolvimento global, a pessoas com necessidades especiais (deficiências mentais, psíquicas, sensoriais e motoras), a idosos e à família de qualquer indivíduo que necessite de intervenção psicomotora.


Referências Bibliográficas: 
Associação Brasileira de Psicomotricidade (s.d.). A Psicomotricidade. Recuperado em 28 de Março, 2011, de http://www.psicomotricidade.com.br/apsicomotricidade.htm.

Psicomotricidade: Conceptualização e objectivos

A Psicomotricidade é uma ciência de paradigma “dualista”, ao afirmar a junção de duas noções: corpo e mente (Onofre, 2004).
A Psicomotricidade relaciona o desenvolvimento psíquico com o desenvolvimento motor, ou seja, centra-se na maturação das funções neuromotoras e das capacidades psíquicas do indivíduo como um único processo (Núnez & Berruezo, 1999; Fonseca, 2005).
Para a Psicomotricidade, as capacidades de representação, análise, síntese e manipulação mental do mundo exterior, adquirem-se mediante a actividade corporal do indivíduo, ou seja, através da sua acção sobre o mundo (Núnez & Berruezo, 1999).
A Psicomotricidade defende que o movimento é indissociável do pensamento quando realizamos uma acção sobre o mundo, pois o pensamento constrói-se através da experiência de movimento (Núnez & Berruezo, 1999).
A Psicomotricidade vê o indivíduo como um ser biopsicossocial, ou seja, observa-o nos seus aspectos afectivos, cognitivos e comportamentais (Núnez & Berruezo, 1999).
Fonseca (2007) refere que a psicomotricidade assenta em sete factores psicomotores, ou seja, áreas de desenvolvimento: tonicidade, equilibração, lateralidade, noção do corpo, estruturação espácio-temporal, praxia global e praxia fina. Estas áreas que se expressam através da acção e movimento estão relacionadas com as três unidades funcionais de Lúria, logo é inseparável a constante interacção entre o acto e o pensamento, no campo da Reabilitação Psicomotora (Fonseca, 2007).
Deste modo a Psicomotricidade tem uma acção terapêutica, educativa e reeducativa, com o objectivo de desenvolver as capacidades do indivíduo, como a inteligência, a comunicação, a afectividade, a sociabilidade e a aprendizagem, entre outros, através do movimento e da acção (Núnez & Berruezo, 1999; Fonseca, 2007).


Referências Bibliográficas:

Fonseca, V. (2007). Manual de observação psicomotora (2ª ed.). Lisboa: Âncora Editora
Núñez, J. A. G. & Berruezo, P. P. (1999). Psicomotricidad Y Educación (5º ed.). Madrid: General Pardiñas.
 Onofre, P. S. (2004). A criança e a sua psicomotricidade: uma pedagogia livre e aberta em intervenção motora educacional (1ª ed.). Lisboa: Trilhos Editora.

História e Evolução da Psicomotricidade

     O estudo da psicomotricidade é recente, mas pouco a pouco tem vindo a evoluir gradualmente (De Meur & Staes, 1984).
Para Fonseca (2007), abordar a revisão da história da origem e evolução do conceito de Psicomotricidade é “estudar a significação do corpo ao longo da civilização humana”: desde a civilização Ocidental, Grega e Idade Média até aos dias de hoje.
As primeiras pesquisas acerca da psicomotricidade fixaram-se sobretudo no desenvolvimento motor da criança e posteriormente o interesse centrou-se na relação entre o atraso no desenvolvimento motor e o atraso intelectual da criança (De Meur & Staes, 1984).
Em seguimento foram realizadas abordagens relativas às habilidades e aptidões motoras em função da idade (De Meur & Staes, 1984).
O termo “psicomotor” surgiu pela primeira vez em 1870, no decorrer de uma investigação de Fritsh e Hitzig que necessitaram de denominar uma região do córtex cerebral que ainda estava pouco esclarecida, mas que se suspeitava que seria responsável pela imagem mental e movimento (Costa, 2008).
Em 1901, Philippe Tissié defendia que a Educação Física não deveria ser interpretada como simples exercícios musculares do corpo, mas também como um processo psicomotor, que se traduz pela constante relação entre o movimento e o pensamento (Costa, 2008).
Em 1907, Edouard Dupré estabeleceu a noção de Reeducação Psicomotora, associada à Debilidade Mental (Fonseca, 2007; Costa, 2008).
Ainda no século XX vários autores como Wallon, Piaget, Ajuriaguerra, entre outros, contribuíram para o desenvolvimento da psicomotricidade com investigações, estudos e trabalhos acerca do desenvolvimento psicomotor humano (Fonseca, 2007; Costa, 2008).
Em Portugal, o preconizador da Psicomotricidade foi João dos Santos, por volta de 1965 (Costa, 2008).
Também na última metade do século XX, Pedro Soares Onofre foi um dos principais intervenientes na divulgação da Psicomotricidade por todo o País (Costa, 2008).
Actualmente a Psicomotricidade não só engloba problemas motores como também as áreas da lateralidade, da estruturação espacial, da orientação temporal, das dificuldades de aprendizagem, da afectividade e da interacção social (De Meur & Staes, 1984).


Referências bibliográficas:

Costa, J. (2008). Um olhar para a criança: Psicomotricidade Relacional. Lisboa: Trilhos Editora. 
De Meur, A. & Staes, L. (1984). Psicomotricidade: Educação e reeducação. São Paulo: Editora Manole.
Fonseca, V. (2007). Manual de observação psicomotora (2ª ed.). Lisboa: Âncora Editora.