terça-feira, 4 de outubro de 2011

Actividades Psicomotoras: atenção, concentração

Actividade: “Memória de sequências”

Descrição: O técnico apresenta uma sequência de cartões diferentes à criança durante alguns segundos e depois baralha-os. Posteriormente a criança terá de colocar os respectivos cartões na sequência correcta.
Objectivos/Áreas a trabalhar: Estruturação espacial, organização sequencial, memória, atenção e concentração.
Material: Cartões com figuras. (Em anexo encontram-se alguns exemplos de cartões).
Critérios de Êxito: Conseguir memorizar e colocar os cartões na devida ordem. 

Actividade: “Memorizar bolas de cor”

Descrição: O técnico mostra à criança uma caixa cheia de bolas de diferentes cores. Em seguida retira por exemplo 3 bolas de cor e a criança observa-as durante alguns segundos. Posteriormente retira essas 3 bolas e mistura-as com as restantes bolas de cor que estão na caixa. O objectivo é que a criança retire dessa caixa as 3 bolas de cor que lhe foram mostradas.
Objectivos/Áreas a trabalhar: Memória, atenção e concentração.
Material: Uma caixa e várias bolas de cor.
Critérios de Êxito: Conseguir memorizar e seleccionar as bolas que foram retiradas da caixa. 

Actividade: “Dominó”

Descrição: A criança possui várias peças, semelhantes às de dominó, no chão (peças grandes feitas de esferovite) que correspondem às carruagens do comboio. A criança terá que ligar as carruagens do comboio umas às outras, sabendo que os símbolos do lado direito da carruagem anterior têm que ser iguais aos do lado esquerdo da carruagem seguinte.
Objectivos/Áreas a trabalhar: Atenção, concentração. estimulação cognitiva e estruturação espácio-temporal.
Material: 20 peças semelhantes às de dominó (de esferovite).
Critérios de Êxito: conseguir corresponder os elementos da peça seguinte aos da peça anterior

Actividades: “Jogo dos pares”

Descrição: O “jogo dos pares” é constituído por um conjunto de cartas ou cartões com diferentes imagens (2 figuras de cada). O técnico vira as cartas ao contrário e a criança terá que virá-las uma a uma até encontrar o par correspondente. No final deverá formar todos os pares. Este jogo pode ser jogado individualmente ou em grupo.
Objectivos/Áreas a trabalhar: Concentração, atenção, memória, estimulação cognitiva e praxia fina.
Material: 30 cartões (2x15 figuras diferentes)
Critérios de Êxito: Conseguir memorizar a imagem que visualiza; conseguir memorizar a localização espacial da mesma imagem do cartão que visualizou.

Actividade: “Sopa de letras”

Descrição: O jogo consiste em encontrar palavras no meio de uma “confusão” de letras e contorná-las com um lápis. Deverá construir-se uma sopa de letras com palavras do interesse da criança, por exemplo se a criança gosta de jogar futebol poderão utilizar-se as palavras: bola, baliza, jogador, Benfica, porto, Sporting, etc.
Objectivos/Áreas a trabalhar: Atenção, concentração e praxia fina.
Material: Papel quadriculado, lápis.
Critérios de Êxito: Conseguir realizar a preensão no lápis e traçar os contornos; conseguir discriminar as letras e encontrar as palavras.

Actividade: “Imagens iguais”

Descrição: Este jogo consiste em fazer corresponder as imagens iguais, que estão misturadas num conjunto de figuras, através da discriminação visual.
Objectivos/Áreas a trabalhar: Discriminação visual, orientação espacial, concentração e atenção.
Material: Cartões com imagens.
Critérios de êxito: Conseguir discriminar as figuras iguais.


Actividade: “A pista”

Descrição: Elaborar previamente diversos quadrados em cartolina ou esferovite que contêm, cada um, uma letra do alfabeto. Os quadrados são colocados dentro de uma caixa. Dividem-se as crianças em duas equipas e atribui-se uma caixa com letras a cada uma. O técnico em seguida refere em voz alta uma pista (ex.: “Serve para abrir portas.”). As crianças com os quadrados terão que formar a palavra, que responde ao enigma, no chão (ex.: chave). A equipa que terminar primeiro a palavra ganha um ponto e no final a equipa com mais pontos vence a prova.
Objectivos/Áreas a trabalhar: Apoio à língua portuguesa, velocidade, estruturação espacial, discriminação visual, raciocínio, atenção e concentração.
Material: 2 caixas, vários quadrados com letras do alfabeto.
Critérios de êxito: Realizar um rápido raciocínio mental de modo a responder ao enigma; discriminar as letras necessárias para elaborar a palavra; e construir a palavra rapidamente.


Actividade: “Descobre as diferenças”

Descrição: O jogo das diferenças consiste em identificar as diferenças entre duas figuras, através da discriminação visual.
Objectivos/Áreas a trabalhar: Discriminação visual, estruturação espacial, concentração e atenção.
Material: Cartões com imagens semelhantes.
Critérios de êxito: Conseguir identificar as diferenças das figuras e a sua orientação espacial.


Actividade: “O fósforo”

Descrição: O técnico forma uma figura inicial com 4, 5 ou 6 fósforos. Em seguida apresenta um cartão com outra figura formada também com fósforos. A criança terá que transformar a 1.ª figura na figura do cartão movendo apenas 1 ou 2 palitos no máximo.
Objectivos/Áreas a trabalhar: Concentração, atenção, raciocínio, memória, estruturação espacial.
Material: Fósforos.
Critérios de êxito: Conseguir transformar a 1.ª construção na 2.ª, movendo apenas 1 ou 2 fósforos.


Actividade: “Figura fundo”

Descrição: O técnico apresenta à criança uma imagem com várias figuras sobrepostas. Em seguida pede-lhe que pinte apenas uma determinada figura (exemplo: pinta o triângulo).
Objectivos/Áreas a trabalhar: Discriminação visual, estruturação espacial, atenção e concentração.
Material: Folhas com várias figuras sobrepostas e lápis de cor.
Critérios de êxito: Conseguir discriminar a figura referida pelo técnico.


Actividade: “A pauta musical”

Descrição: O técnico desenha uma pauta musical, como ilustra na figura, em papel de cenário. Em seguida pede às crianças que realizem a actividade, que consiste em discriminar os símbolos visuais e pintar cada símbolo com a cor correspondente como ilustra na legenda.
Objectivos/Áreas a trabalhar: Discriminação visual, atenção, memória e estruturação espacial.
Material: Papel de cenário e lápis de cor.
Critérios de êxito: Discriminar as figuras que têm a “bolinha” orientada para a esquerda - direita, cima - baixo. 



Actividade: “Quantidades e tamanhos”

Descrição: Esta actividade consiste em discriminar quantidades e tamanhos, maiores e menores.
Objectivos/Áreas a trabalhar: Discriminação visual, atenção, memória e estruturação espacial.
Material: Lápis de cor.
Critérios de êxito: Discriminar quantidades e tamanhos identificando quais os elementos maiores e menores.



Actividade: “Busca a palavra”

Descrição: O técnico coloca diversos cartões com palavras colados na parede da sala. Em seguida, em voz alta, nomeia várias palavras (exemplo: mesa, cadeira, professor, aula, matemática). Ao parar, dá sinal de partida e a criança terá que procurar na sala os cartões com as palavras referidas pelo técnico e recolhê-las o mais rápido que conseguir.
Objectivos/Áreas a trabalhar: Memória, atenção, concentração, discriminação visual, estruturação espacial.
Material: Cartões com palavras.
Critérios de êxito: Conseguir discriminar e memorizar as palavras verbalizadas pelo técnico e recolher os respectivos cartões.


Actividade: “O intruso”

Descrição: Com vários cartões forma-se um conjunto de símbolos. Entre esses símbolos deverão constar vários símbolos correspondentes à mesma categoria e um símbolo que não pertence a essa categoria. A criança deverá identificar o símbolo “intruso”.
Objectivos/Áreas a trabalhar: Discriminação visual, concentração e atenção.
Material: Cartões com símbolos de várias categorias.
Critérios de êxito: Conseguir fazer a discriminação do símbolo que não pertence à categoria.


Actividade: “Qual a minha sombra?”

Descrição: Cola-se um conjunto de cartões à frente da criança: um com uma imagem e vários com sombras em que apenas uma corresponde à imagem inicial. A criança deverá identificar qual a sombra correspondente à imagem.
Objectivos/Áreas a trabalhar: Discriminação visual; atenção, concentração, memória, estruturação espacial.
Material: Vários cartões com figuras e sombras.
Critérios de êxito: Conseguir discriminar visualmente qual a sombra correspondente à figura.


Actividade: “Mensagem de código”

Descrição: O técnico entrega uma mensagem código a cada criança ou a um grupo de crianças, com a respectiva correspondência de símbolos a cada letra em anexo. A criança ou grupo de crianças terão que realizar as acções que a mensagem secreta ordena pela ordem indicada. Se a actividade for realizada em grupo a equipa que terminar primeiro a tarefa vence.
Objectivos/Áreas a trabalhar: Coordenação; concentração, atenção memória, estruturação espacial e discriminação visual.
Material: Documento com mensagens código; documento com alfabeto correspondente aos símbolos da mensagem código.
Critérios de êxito: Interpretar a mensagem código, fazendo corresponder cada símbolo a uma letra; realizar as actividades instruídas na mensagem código segundo a sua ordem.


Actividade: “Tangram”

Descrição: Construa as figuras geométricas (peças) constituintes do tangram em cartão ou esferovite. Posteriormente o técnico apresenta uma determinada sombra formada pelas peças do tangram. A criança terá que reproduzi-la.
Objectivos/Áreas a trabalhar: Discriminação visual, praxia fina, orientação espacial, atenção, concentração e memória.
Material: Peças do tangram (figuras geométricas) construídas em cartão ou esferovite.
Critérios de êxito: Discriminar as figuras geométricas que terá de utilizar para construir uma reprodução igual à sombra; colocar as peças na orientação espacial adequada de modo a formar uma figura igual à sombra.





Referências bibliográficas: 

De Meur, A. & Staes, L. (1984). Psicomotricidade: Educação e reeducação. São Paulo: Editora Manole.

Áreas de Intervenção e Linhas de Acção

A intervenção psicomotora assenta-se em três linhas de acção já mencionadas anteriormente: terapêutica, educativa e reeducativa (Núnez & Berruezo, 1999; Fonseca, 2007).
Relativamente às áreas de intervenção esta tem uma vertente multidisciplinar, sendo possível desenvolver vários campos de actuação. Entre eles destacam-se: a psicomotricidade instrumental, a psicomotricidade relacional, a gerontopsicomotricidade, a psicomotricidade em meio aquático, a hidroterapia, a equitação terapêutica ou hipoterapia, a asinoterapia, a terapia assistida por animais e o relaxamento (Núnez & Berruezo, 1999; Fonseca, 2007).


Referências Bibliográficas: 

Fonseca, V. (2007). Manual de observação psicomotora (2ª ed.). Lisboa: Âncora Editora 
Núñez, J. A. G. & Berruezo, P. P. (1999). Psicomotricidad Y Educación (5º ed.). Madrid: General Pardiñas. 

População Alvo

A intervenção psicomotora destina-se a uma população abrangente desde o recém-nascido até ao idoso. Segundo a Associação Brasileira de Psicomotricidade (s.d.) a Psicomotricidade destina-se a bebés em situação de risco (atraso de desenvolvimento, precariedade, situação económica baixa), a crianças em fase de desenvolvimento, a crianças com dificuldades de aprendizagem ou atraso no desenvolvimento global, a pessoas com necessidades especiais (deficiências mentais, psíquicas, sensoriais e motoras), a idosos e à família de qualquer indivíduo que necessite de intervenção psicomotora.


Referências Bibliográficas: 
Associação Brasileira de Psicomotricidade (s.d.). A Psicomotricidade. Recuperado em 28 de Março, 2011, de http://www.psicomotricidade.com.br/apsicomotricidade.htm.

Psicomotricidade: Conceptualização e objectivos

A Psicomotricidade é uma ciência de paradigma “dualista”, ao afirmar a junção de duas noções: corpo e mente (Onofre, 2004).
A Psicomotricidade relaciona o desenvolvimento psíquico com o desenvolvimento motor, ou seja, centra-se na maturação das funções neuromotoras e das capacidades psíquicas do indivíduo como um único processo (Núnez & Berruezo, 1999; Fonseca, 2005).
Para a Psicomotricidade, as capacidades de representação, análise, síntese e manipulação mental do mundo exterior, adquirem-se mediante a actividade corporal do indivíduo, ou seja, através da sua acção sobre o mundo (Núnez & Berruezo, 1999).
A Psicomotricidade defende que o movimento é indissociável do pensamento quando realizamos uma acção sobre o mundo, pois o pensamento constrói-se através da experiência de movimento (Núnez & Berruezo, 1999).
A Psicomotricidade vê o indivíduo como um ser biopsicossocial, ou seja, observa-o nos seus aspectos afectivos, cognitivos e comportamentais (Núnez & Berruezo, 1999).
Fonseca (2007) refere que a psicomotricidade assenta em sete factores psicomotores, ou seja, áreas de desenvolvimento: tonicidade, equilibração, lateralidade, noção do corpo, estruturação espácio-temporal, praxia global e praxia fina. Estas áreas que se expressam através da acção e movimento estão relacionadas com as três unidades funcionais de Lúria, logo é inseparável a constante interacção entre o acto e o pensamento, no campo da Reabilitação Psicomotora (Fonseca, 2007).
Deste modo a Psicomotricidade tem uma acção terapêutica, educativa e reeducativa, com o objectivo de desenvolver as capacidades do indivíduo, como a inteligência, a comunicação, a afectividade, a sociabilidade e a aprendizagem, entre outros, através do movimento e da acção (Núnez & Berruezo, 1999; Fonseca, 2007).


Referências Bibliográficas:

Fonseca, V. (2007). Manual de observação psicomotora (2ª ed.). Lisboa: Âncora Editora
Núñez, J. A. G. & Berruezo, P. P. (1999). Psicomotricidad Y Educación (5º ed.). Madrid: General Pardiñas.
 Onofre, P. S. (2004). A criança e a sua psicomotricidade: uma pedagogia livre e aberta em intervenção motora educacional (1ª ed.). Lisboa: Trilhos Editora.

História e Evolução da Psicomotricidade

     O estudo da psicomotricidade é recente, mas pouco a pouco tem vindo a evoluir gradualmente (De Meur & Staes, 1984).
Para Fonseca (2007), abordar a revisão da história da origem e evolução do conceito de Psicomotricidade é “estudar a significação do corpo ao longo da civilização humana”: desde a civilização Ocidental, Grega e Idade Média até aos dias de hoje.
As primeiras pesquisas acerca da psicomotricidade fixaram-se sobretudo no desenvolvimento motor da criança e posteriormente o interesse centrou-se na relação entre o atraso no desenvolvimento motor e o atraso intelectual da criança (De Meur & Staes, 1984).
Em seguimento foram realizadas abordagens relativas às habilidades e aptidões motoras em função da idade (De Meur & Staes, 1984).
O termo “psicomotor” surgiu pela primeira vez em 1870, no decorrer de uma investigação de Fritsh e Hitzig que necessitaram de denominar uma região do córtex cerebral que ainda estava pouco esclarecida, mas que se suspeitava que seria responsável pela imagem mental e movimento (Costa, 2008).
Em 1901, Philippe Tissié defendia que a Educação Física não deveria ser interpretada como simples exercícios musculares do corpo, mas também como um processo psicomotor, que se traduz pela constante relação entre o movimento e o pensamento (Costa, 2008).
Em 1907, Edouard Dupré estabeleceu a noção de Reeducação Psicomotora, associada à Debilidade Mental (Fonseca, 2007; Costa, 2008).
Ainda no século XX vários autores como Wallon, Piaget, Ajuriaguerra, entre outros, contribuíram para o desenvolvimento da psicomotricidade com investigações, estudos e trabalhos acerca do desenvolvimento psicomotor humano (Fonseca, 2007; Costa, 2008).
Em Portugal, o preconizador da Psicomotricidade foi João dos Santos, por volta de 1965 (Costa, 2008).
Também na última metade do século XX, Pedro Soares Onofre foi um dos principais intervenientes na divulgação da Psicomotricidade por todo o País (Costa, 2008).
Actualmente a Psicomotricidade não só engloba problemas motores como também as áreas da lateralidade, da estruturação espacial, da orientação temporal, das dificuldades de aprendizagem, da afectividade e da interacção social (De Meur & Staes, 1984).


Referências bibliográficas:

Costa, J. (2008). Um olhar para a criança: Psicomotricidade Relacional. Lisboa: Trilhos Editora. 
De Meur, A. & Staes, L. (1984). Psicomotricidade: Educação e reeducação. São Paulo: Editora Manole.
Fonseca, V. (2007). Manual de observação psicomotora (2ª ed.). Lisboa: Âncora Editora.